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O Coque

ILHA JOANA DO COQUE

O Coque, considerada uma das maiores periferias da Região Metropolitana do Recife, é um território geográfico-afetivo que abriga as memórias viva de nossa cena cultural, da vida coletiva e sobretudo de nossa r-existência política. Diferentemente do que a mídia e o imaginário social da cidade insistem em promover, para o NEIMFA, o Coque é um imenso espaço formativo que vem nos ensinando a tecer a trama das amizades e a resistir pela vida.

Cercada por mangues e rios, o Coque é uma verdadeira ilha, mágica e mítica. Com seus mistérios, e mais de 45.000 (quarenta e cinco mil) moradores, a região é uma ZEIS – Zona Especial de Interesse Social e merece, portanto, nossa proteção e todo nosso cuidado! Segundo Larissa Rodrigues de Menezes, estamos falando do bairro “com o maior número de monumentos históricos tombados em nível federal da cidade, possuindo também parte de sua área protegida como patrimônio histórico-cultural em esfera municipal. O Coque tem, portanto, localização privilegiada.” E por isso, essa ilha, assim como seus moradores, tem sido constantemente ameaçada pelos feitiços da especulação imobiliária.  

 

Apesar de sua localização privilegiada e fazer parte de um legado histórico repleto de memórias que guardam contos fantásticos de mulheres e homens guerreirxs, o Coque continua sendo marcado por uma história única de perigo e medo.  As vidas dos moradores, extremamente marcadas pela ausência de serviços públicos essenciais, normalmente são relegadas a uma invisibilidade perversa. Forças in-visiveis que, ao invés de ajudar a melhorar nossas condições de vida e nos oferecer o que é nosso por direito (moradia digna, cultura, saneamento, educação...), agem para nos expulsar de nosso território ao nos estigmatizar com narrativas preconceituosas e nos faltar com respeito.

 

Ainda que essas forças perversas continuem atuando para nos matar ou nos deixar morrer, estamos aqui para lembrar que o Coque Vive: e por isso criamos, em meados de 2005, uma rede - formada pelo NEIMFA, um grupo de estudantes universitários (sobretudo do Centro de Educação, do Centro de Artes e Comunicação e do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFPE) e o Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis (MABI) - voltada ao esforço de superar os estigmas que cerceiam e despotencializam a comunidade do Coque.

 

A Rede Coque Vive promoveu diálogos sinérgicos entre jovens da comunidade e jovens estudantes universitários, aglutinando ações culturais e formativas, aliadas às tecnologias de publicização como o site coquevive.org, o Cine Coque, a Biblioteca Popular do Coque, a Estação Digital de Difusão de Conteúdos, o livro de memórias Senhoras do Coque e inúmeras outras estratégias que buscaram promover, de forma integrada, a construção de imagens positivas da comunidade e a contação de outras histórias da localidade orientadas por uma visão espiritual concernente, colocando em jogo nossas metas pedagógicas anunciadas: participação crítica na vida comunitária, formação de sujeitos éticos e promoção do bem-viver e da felicidade de todos os seres.

 

 

As atividades levadas a cabo nesse contexto culminaram com a constituição, em 2013, do Movimento Coque (R)Existe, que chegou a aglutinar mais de 25 organizações sociais de dentro e de fora da comunidade em torno da questão do direito à moradia e vida digna dentro da periferia.

 

Hoje, mais do que nunca, que seja válido o Poeminho do Contra composto por Mario Quintana: “Todos esses que aí estão Atravancando meu caminho, Eles passarão...Eu passarinho!” Pois, enquanto o Coque (R)Existe, agiremos em rede para lembrar a Cidade que a periferia é território para amar e viver, não lugar para matar ou deixar morrer.