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Núcleos

Ações Formativas: a Mandala Mágica das Cinco Sabedorias

Inspiradas pelo desejo de um outro mundo possível, nossas ações estratégicas, que acontecem durante todos os dias da semana, estruturam-se, organizacionalmente, a partir de cinco núcleos (Direitos Humanos e Cultura de Paz; Arte e Cultura; Gênero e Saúde; Educação e Cidadania; Articulação e Desenvolvimento Comunitário) encarregados de mover suas atividades formativas, nos diferentes eixos de intervenção priorizados. Sensivelmente, essa estrutura tem a forma de um mandala: o mandala das cinco sabedorias, indicando as qualidades e os meios hábeis com os quais no movemos no mundo. Cada Núcleo, nesse caso, manifesta uma luz/cor que expressa uma sabedoria correspondente.

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MANDALAS FORMATIVAS

A noção de mandala é a experiência que nos permite “ir além das fronteiras que aprisionam a nossa visão de mundo. Ir além de uma noção de realidade que nos impedia de perceber...” diferentemente a si mesmo, os outros, o mundo. Nesse sentido, a proposta pedagógica sustentada pela experiência do mandala faz com que o trabalho educativo esteja voltado não para adaptações sociais em um mundo objetificado e separado de nós. Pelo contrário, o processo formativo volta-se para a criação de mundos e, concomitantemente, para a construção de outros tecidos sociais e políticos.

 

O método formativo do mandala nos possibilita intercambiar posições, acessar outras mundos de visão; ou seja, é um caminho através do qual somos desafiados, por meio das atividades e encontros, a mudar de posições, mudar nossa própria forma, perspectivar nosso modo de entrar e estar em relação consigo, com o outro, com o mundo desde pontos de vistas mais amplos: o ponto de vista das luzes. Essas cores (branca, azul, amarela, vermelha, verde) “são os meios hábeis para nos manifestarmos no mundo” desde pontos de vistas que suspendem e descentram o ponto de vista do eu, do meu, do particular no modo como agimos e nos relacionamos. E assim, outros mundos podem ser experienciados e tecidos.

Núcleo de Direitos Humanos e Cultura de Paz

A proposta formativo do Núcleo de Direitos Humanos e Cultura de Paz passa pelo desejo de RE-DES-COBRIR MAGIA e fazer de nossas práticas educativas um dispositivo mágico. Redescobrir a magia nos coloca no exercício de uma forma de vida em que a educação passa pela modificação de nossa relação com o mundo e não em aquisição de mais ideias. O foco de intervenção visa mobilizar o NEIMFA para um tipo de perspectiva em que a ontologia e a política são de outra ordem: não falamos de tolerância (esse modo farsário de aversão às diferenças), nem de inclusão (política camuflada de enquadrar os outros aos nossos termos), mas de diplomacia cósmica como cuidado das relações inter-mundanas. Assim, pensar uma cultura de paz implica em levar a sério outras culturas vivas e ativas, humanas e não humanas, visíveis e invisíveis, que existem e resistem. Implica pensar que os direitos não se reduzem aos ideais humanos nem as suas leis visto que “a modernidade humanista soube apenas fazer proliferar tecnologias da morte”. Ultrapassar o humanismo moderno e seus ideais é tarefa urgente num tempo em que o humano se tornou máquina mortífera contra as vidas, as dissidências, as diferenças.

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Núcleo de Arte e Cultura

A partir do simbolismo da "Terra Pura e da Mandala da Sabedoria de Aksobya", o núcleo explora o nosso potencial de brincar com as formas, de dar outras formas a si mesmo e ao mundo, para melhor acolher os outros seres. Portanto, forma-se / inventa-se / cria-se para entender o outro dentro do seu próprio contexto. Hoje, o núcleo tem como objetivo promover ações estéticas cujo foco passa pela manifestação da capacidade performática e expressiva dos diferentes modos de ser. De forma mais específica, buscamos, por meio do teatro, da dança e das artes visuais, potencializar outros modos  de expressão de si e das culturas periféricas através das quais as crianças, os jovens e as mulheres possam ser artesãos de si. Para a efetivação desses objetivos, será necessário, portanto, superar a visão limitada sobre o que é arte e cultura. Mais precisamente será necessário repensarmos por meio da arte-expressão nosso modo de ser (corpo). Assim, inseridos no contexto da educação não-formal o núcleo compreende que fazer/experienciar arte, é também um exercício espiritual educativo que nos possibilita sentir as intimidades dos mundos que nos cercam, permitindo-nos tocar, experimentar e enxergar outros modos de ser.

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Núcleo de Gênero e Saúde

O Núcleo de Gênero e Saúde (NGS) movimenta-se a partir de duas propostas que se inter-articulam: a criação de dispositivos que favoreçam a formação de agentes de mediação em gênero e saúde e a produção de ações concretas de cuidado integral. O mapa de trabalho do núcleo sugere a articulação de dois movimentos: num primeiro movimento, pretende-se priorizar, dentro da Instituição e fora dela, o acesso a uma reflexão mais específica em torno das temáticas “saúde” e “gênero”; num segundo movimento, a estratégia consiste na configuração de um espaço onde possam ser exercidas ações de cuidado integral, tornando o NEIMFA/Coque local de referência em saúde integral no território da cidade do Recife.

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Núcleo de Educação e Cidadania

Sob os signos da "Manda da Luz Infinita do Amor e da Compaixão", o Núcleo de Educação e Cidadania emerge diretamente do lema Educação e Cidadania com Espiritualidade, que anima as atividades educativas do NEIMFA desde a sua fundação. Atualmente, pretende-se priorizar a construção de uma ampla cartografia dos referenciais das ações formativas mobilizadas atualmente pela instituição. A intenção mais ampla consiste em contribuir para a sistematização dos mandalas formativos impulsionados pelos seus cinco núcleos, pautando uma agenda de pesquisa voltada às condições de emergência do laço social na comunidade, como subsídio para o enfrentamento dos problemas formativos suscitados pelas nossas estratégias educacionais. O mapa de trabalho do núcleo envolve a articulação de teorias e práticas que abordam o lugar dos sujeitos periféricos e dos saberes subalternos na criação de roteiros pedagógicos minoritários (dispositivos de intervenção formativa) que possam funcionar como estratégias de ocupação de espaços políticos e epistemológicos no território da cidade.

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Núcleo de Articulação e Desenvolvimento Comunitário

O Núcleo de Articulação e Desenvolvimento Comunitário pretende constituir-se como um espaço de aberturas e fendas que possibilitem contatos com outras formas de vida e acessos a outros mundos (im)possíveis. A ideia é que os processos formativos levados a cabo a partir do Núcleo sejam pensados como encontros e percursos que gerem uma experiência da comunidade entre aqueles que não têm nada em comum. A ideia mais ampla é pensar a experiência do Coque como zona de vida comum. As ações se concentram em três eixos: o eixo de articulação e difusão de conteúdos, que pretende socializar as experiências do NEIMFA e produzir atividades em rede com outras organizações e grupos; o espaço de memória, arte e resistência, eixo central que pretende aglutinar as ações de formação, pesquisa e memória do NEIMFA e da comunidade do Coque; e o eixo da oficina revelar.si, que pretende realizar ações formativas específicas com as meninas e mulheres da comunidade. Nesse momento, nosso foco consiste em arriscar-nos em outras estratégias formativas capazes de se constituírem como formas de resistência a altura do momento político-espiritual que atravessamos em nosso mundo.

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